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Conheça o ABC da rochagem ou remineralização

O uso de pó de rocha na recomposição de minerais reduz custos e melhora as condições dos solos. O processo, regulamentado desde 2016, também abre uma nova frente para os produtores minerais

O fato de o Brasil ser uma potência em agronegócios é indiscutível. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), o setor responde por um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) e por 48% das exportações. A dependência de fertilizantes químicos, por outro lado, pesa: praticamente 80% dos fertilizantes sintéticos compostos por nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) são importados. E mais: há uma tendência de crescimento do consumo em cerca de 6% ao ano e – para algumas culturas – o custo dos fertilizantes pode chegar a 40% dos insumos totais. Os dados são da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e indicam que o país precisa de soluções que ajudem a contrabalançar o cenário. A rochagem é uma delas.

O nome da técnica vem, é claro, do uso de rochas – fonte natural de minerais – na melhoria dos solos. Também conhecido como remineralização de solos, em função da recomposição mineral, o processo vem sendo desenvolvido desde a década de 1950 no Brasil. Pensada como complemento ou alternativa aos fertilizantes químicos, a rochagem ganhou um novo status com a regulamentação do seu uso pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)  em março de 2016. De acordo com o Mapa, uma das maiores vantagens da rochagem é alta disponibilidade de rochas em todo o país, e o custo em relação aos fertilizantes sintéticos de alta solubilidade.  

Complemento e não mero substituto dos fertilizantes químicos

Antes que fique declarada uma guerra não existente entre os remineralizadores e os fertilizantes tradicionais, é preciso esclarecer que a rochagem é vista por alguns pesquisadores como um processo complementar. É o que defende o geólogo e pesquisador da Embrapa, Éder Martins, uma das autoridades no assunto no país. Em depoimento ao site Projeto Soja Brasil, o pesquisador lembrou que o pó de rocha, ou seja a rocha moída e peneirada, tem a função de melhorar a qualidade física, química e biológica do solo. “A rochagem não vem para substituir os fertilizantes, mas para complementar, reduzindo os custos”, explicou em reportagem publicada em janeiro de 2018.

Na avaliação dele, a regulamentação da rochagem agregou o controle ao processo. “Para poder comercializar o pó de rocha, as empresas precisam se adequar as exigências técnicas do MAPA,  com testes que garantem a eficiência agronômica do produto”, explicou o especialista. Ele também lembrou que a Embrapa possui um histórico de estudo do processo com pelo menos 16 anos, que pode ser usado como referência de pesquisa em vários estados. Outro ponto destacado é a distância entre a fonte de pó de pedra e os potenciais usuários. Na avaliação de Martins, a produção do pó de pedra deveria estar num raio máximo de 300 km das propriedades rurais para ser economicamente viável.

Uso do remineralizador de solos envolve duas etapas de controle

Com a regulamentação, a classificação de remineralizador de solos inclui a exigência de análises geoquímicas e mineralógicas que comprovem a eficiência de uso do produto. Entre os fatores analisados estão os percentuais mínimos da soma de bases (óxidos de cálcio, de magnésio e de potássio) e percentuais máximos de elementos potencialmente tóxicos e de sílica livre, além da indicação do pH, de abrasão e da granulometria.

Depois das análises, os fornecedores de remineralizadores de solos  devem validação a eficiência agronômica por meio de instituições públicas de pesquisa (Embrapa, universidades e outras instituições de ensino e pesquisa) e entidades credenciadas pelo Mapa. "Há várias rochas silicáticas que cumprem os requisitos de soma de bases, mas têm baixa eficiência agronômica. Por isso, os testes em solos agrícolas e culturas da região de origem do produto são necessários, bem como a publicação científica com os resultados", explica Martins.

Conheça o ABC dos remineralizadores

Definição: Material de origem mineral que tenha sofrido apenas redução e classificação de tamanho por processos mecânicos e que altere os índices de fertilidade do solo por meio da adição de macro e micronutrientes para as plantas, bem como promova a melhoria das propriedades físicas ou físico-químicas ou da atividade biológica do solo.

Produção: São obtidos a partir da cominuição, dividida em etapas de britagem e moagem com diferentes moinhos. Na britagem, os blocos de rochas são reduzidos a fragmentos. Na moagem, os fragmentos são reduzidos à granulometria desejada: farelo, pó e filler, que é a mais fina e a mais cara. O custo de produção de partículas de granulometria entre pó e filler é estimado entre R$ 20 e R$ 30 a tonelada.

Vantagens: Além da alternativa aos tradicionais fertilizantes solúveis, geralmente importados, os remineralizadores permanecem na lavoura por vários ciclos devido à sua solubilidade mais baixa. Podem ainda ser utilizados em combinação com fertilizantes solúveis, de acordo com o manejo do solo. Dependendo da fonte, podem contribuir para a correção do alumínio tóxico no solo e melhorar a capacidade de troca de cátions do solo, propriedade importante para a retenção de nutrientes.

Atratividade: Transportados a granel, têm viabilidade econômica em nível regional, geralmente num raio entre 100 km a 300 km da origem. Uma avaliação da Embrapa Cerrados na região do Planalto Central comparou o biotita xisto com o cloreto de potássio (KCl) solúvel em lavouras de soja em dois tipos de Latossolos (textura média e argiloso). Os resultados indicaram que o remineralizador foi mais vantajoso economicamente em relação ao KCl no primeiro ciclo da cultura quando aplicado até 200 km de distância da fonte.

Fonte: Embrapa.


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