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Gestão de rejeitos agora é mandatória na mineração

Os recentes acidentes envolvendo o rompimento de barragens de rejeitos de mineração no Brasil destacaram a importância do tema. Mais do que um problema regional, o assunto é um desafio mundial. Nesse rápido guia, listamos sete pontos que você precisa conhecer a respeito das barragens de rejeitos. E, é claro, apontamos soluções para o desafio. Acompanhe.

Barragem de rejeitos é uma realidade: A produção de pilhas de minério e de estéril faz parte do processo. O que não pode acontecer é a falta de planejamento e controle. As barragens de decantação de finos e de rejeitos, assim como dos efluentes líquidos da mina ou das usinas de beneficiamento do minério, precisam ser monitoradas. Já a sua gestão inclui desde o reaproveitamento da água no próprio processamento até sistemas que identifiquem vazamentos na planta. As soluções de bombeamento desenhadas para cada projeto são parte fundamental do processo.

Um problema mundial: Dados internacionais indicam que apenas 5% das barragens de rejeitos criadas em 2018 foram desaguadas, com a produção de resíduos pastosos, espessados ou secos. Em 2025, a estimativa é que apenas 13% do total de barragens de rejeitos deverá passar pelo desaguamento. Com isso, a pressão ambiental sobre o setor mineral continuará forte. Os volumes crescentes de rejeitos – 3,2 bilhões de toneladas somente no caso do cobre e outras 1,8 bilhão de toneladas da exploração de minério de ferro – são os mais proeminentes.

Água cada vez mais escassa: A água é um componente fundamental na maioria dos processos minerais. E pra complicar, 70% das minas operadas pelas maiores companhias mundiais estão em países onde a escassez de água é considerada o maior risco para a atividade. O uso responsável da água, portanto, é fundamental, principalmente em países com atividade mineral em regiões secas, caso do Peru, Chile, Estados Unidos e África do Sul, entre outros.

É preciso racionalizar o uso: De acordo com o International Council on Mining & Metals (ICMM), a pressão para o uso racional da água na mineração é uma realidade. E os exemplos positivos acontecem no mundo todo. É o caso da mina de diamantes de Argyle, na África, cuja demanda de água foi reduzida em 95% em quatro anos. A empresa usava 3,5 megalitros em 2005 e passou a utilizar apenas 300 megalitros em 2009. Entre as iniciativas estava a reciclagem da água usada no processamento.

Combo de tecnologias ganha espaço: O uso de técnicas de classificação e desaguamento juntas ou separadas permite que as mineradoras ativem soluções a prova de futuro na gestão de resíduos. É o caso da filtragem inteligente para resolver os desafios de controlar rejeitos complexos. Inclusive com reuso da água das barragens, reduzindo o consumo do recurso. Espessadores de placas inclinadas compactos também são outros recursos disponíveis. Etapas anteriores igualmente podem ser melhoradas com uso, entre outros, de hidrociclones diferenciados para a classificação.

Engenharia resolve demanda: O Chile é um exemplo de como a engenharia pode ser aliada na solução planejada. A mina de cobre e ouro da Minera Esperanza, distante 180 km da cidade de Antofogasta, enfrentava o desafio de operar num dos locais mais secos do planeta. A planta foi projetada para usar água do mar, que é transportada por um duto de 145 km desde a costa do Pacífico até a mina. Em 2013, o abastecimento de água do mar – devidamente filtrada – já correspondia a 30% do uso da planta.

Mito do alto custo de resíduos sólidos: Desaguar bacias de rejeitos, ao contrário do senso comum, não apresenta um custo de capital ou custo operacional mais alto. Retirar a água – por meio de tecnologias como filtragem inteligente – podem maximizar a recuperação de minérios e de água e, ao mesmo tempo reduzir os custos operacionais. Os custos (de vidas e humanos e financeiros) de provenientes dos acidentes com rompimento de barragens também podem ser minimizados com o desaguamento e com o empilhamento à seco dos resíduos rejeitos.


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