Blog: Mentes mineradoras

Nem sempre é o equipamento

Recaracterização mineral mostra que a mudança de características das rochas influi no desempenho das plantas de processamento. Centro de Testes da Metso em Sorocaba tem o DNA para realizar o processo, ainda pouco usado no país.

A recaracterização mineral, ou seja, a iniciativa de avaliar as características físicas das rochas e propriedades como abrasividade, dureza e resistência ao impacto depois de anos de operação, é um processo muitas vezes negligenciado nas mineradoras brasileiras. Há exceções. Uma delas é a multinacional que explora uma mina de ouro no país e que viu o desempenho de sua planta de processamento ser reduzida ao longo do tempo. Inicialmente os profissionais creditavam a redução do desempenho aos equipamentos, mas a recaracterização provou que a mudança nos parâmetros das rochas era determinante no desempenho. E mais do que isso: conhecer as novas características ajudaria nas estratégias operacionais da planta. Como?

Pela comparação. No caso da mina brasileira, uma longa campanha de avaliação das características de seu minério por meio de testes de laboratório havia sido realizada em 2010. A reavaliação aconteceu em 2017, com amostras provenientes de uma mesma região da mina e a partir de testes de abrasividade, resistência e dureza realizados no Centro de Testes da Metso em Sorocaba. Os tipos de avaliação – Abrasion Teste ou Ai de Bond, SMC® Test e Wi de Bolas – foram exatamente os mesmos. Os dados passaram por tratamento estatístico e os resultados foram surpreendentes para o cliente.

Embora os testes de abrasividade não mostrarem um resultado significativo, tanto a dureza como a resistência ao impacto indicaram mudanças significativas nas características das rochas. O Ai de Bond indicou um aumento muito pequeno na abrasividade das amostras coletadas em 2017 em relação à campanha de 2010: 0,98%. Já o SMC® Test, que fornece uma série de informações sobre as características de quebra da rocha para uso na indústria de processamento mineral, mostrou um aumento de 39,71% na resistência ao impacto nas amostras de 2017 em relação às de 2010. A resistência à cominuição, medida pelo teste Wi de Bolas, também aumentou. E significativamente: 73,66%.

O que se deduz desse caso real em campo no Brasil? Simples. Apesar da abrasividade do minério explorado não sofrer grandes mudanças, as rochas processadas tornaram-se mais duras e mais resistentes à quebra em sete anos, com impacto direto no desempenho da planta. Imagine-se o efeito de britar e moer um minério mais duro e mais resistente à fragmentação? Os equipamentos não deixaram de ser acompanhados na planta, pelo contrário. Os dados da recaracterização mineral permitiram ajustes para adequar o processamento de uma rocha diferente. As informações também confirmaram que determinadas características dos minérios podem se alterar significativamente ao longo dos anos. Como dito acima, as informações surpreenderam a mineradora, mas não foram novidade para a Metso.

A razão da não surpresa é a sólida experiência acumulada ao longo dos anos, além de a Metso ter um grande banco de dados com informações geradas por meio de diferentes projetos de recaracterização mineral realizados em diversos empreendimentos ao redor do mundo. Além do conhecimento acumulado, a Metso tem uma estrutura de realização de testes em vários países e a troca de informações é uma prática obrigatória entre as operações mundiais.  No Brasil, os processos são conduzidos no Centro de Testes localizado em Sorocaba, interior de São Paulo. Porém, muitas vezes a interação com outros centros de testes da Metso em outros países é importante, o que acaba criando a troca de experiências e o aprimoramento das recomendações para a mineradora.

Com uma estrutura de 2.5 mil m², incluindo laboratórios e planta piloto, o Centro está equipado para avaliar várias etapas do processamento mineral. A estrutura inclui avaliações de britagem e peneiramento e testes específicos de moagem, alguns deles feitos exclusivamente no Brasil pela Metso. Em função dessa estrutura, o Centro pode validar a importância da mudança de características das rochas e sua influência no desempenho de plantas de processamento, relativizando o papel dos equipamentos em si. Os testes evitam que as mineradoras concentrem suas avaliações nas máquinas e passem a considerar também o papel do minério. E mais: eles ressaltam a importância de etapas como britagem, peneiramento e moagem para um mesmo grau de importância das fases de concentração como a flotação, sempre foco de atenção do setor mineral.

Os testes de abrasividade, resistência e dureza são padronizados internacionalmente há décadas, mas o tratamento dos dados obtidos e a sua interpretação são diferenciados. O diferencial é o DNA de formação em engenharia da Metso, sua estrutura de laboratórios e planta piloto e, sem dúvida, a experiência em centenas de projetos ao redor do mundo. Em tempos de Big Data, as informações trabalhadas no laboratório podem impactar até mesmo no uso racional de dois recursos importantes na mineração, a água e a energia, dois assuntos para um próximo material, além de incrementar no aumento de produção.  


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