nov 13, 2018 Mineração blog

Demanda por lítio aquece a exploração mineral no mundo

Metso Brasil
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Alta do metal favorece a ativação de novos depósitos mesmo fora dos países tradicionalmente produtores como Austrália, Chile e Argentina
Demanda por lítio aquece a exploração mineral no mundo
Alta do metal favorece a ativação de novos depósitos mesmo fora dos países tradicionalmente produtores como Austrália, Chile e Argentina

 

O lítio é um metal singular. Presente em depósitos minerais ou em salmouras, ele é a matéria prima para as baterias de equipamentos eletrônicos e veículos elétricos. Mas, embora seja encontrado ao redor do mundo, nem todo depósito ou salmoura é comercialmente viável: muitos são pequenos e outros não possuem alta concentração de lítio. Novas fronteiras, porém, começam a ser abertas, inclusive em áreas com pouca tradição na produção do metal.  A corrida pelo suprimento é estratégica: o mercado de baterias de íons de lítio cresce a uma taxa anual de 18,7%, segundo a Reuteurs. Mas qual é o ponto de partida para a busca do chamado petróleo branco?

Na verdade são dois. O primeiro deles é a exploração dos depósitos minerais, caso das rochas pegmatíticas que hospedam, por assim dizer, os minérios de lítio, entre eles o espodumênio. É o caso do Vale do Lítio, na província da Austrália Ocidental (Western Australia), cuja sétima mina, produzindo o concentrado de lítio na forma de espodumênio, foi inaugurada no começo de setembro de 2018. A região, segundo reportagem publicada em abril desse ano no jornal The Sidney Morning Herald, trabalha para suprir metade do consumo mundial de lítio. O mesmo tipo de depósito ocorre no Brasil.

A segunda fonte de exploração do lítio são as salmouras, com destaque para três países da  América do Sul – Argentina, Bolívia e Chile. A Bolívia ainda é uma incógnita, pois tem grandes reservas e tem planos de explorá-las com um parceiro internacional. O Chile ocupa a segunda posição como maior produtor mundial de lítio depois da Austrália. Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que é referência mundial, mostram que os chilenos responderam por 32,8% do volume de lítio entregue ao mercado em 2017, enquanto a Argentina teria produzido 13,5%. Só para efeito de comparação: os australianos, no mesmo período, produziram 43% do volume e, de acordo com as últimas informações caminham para os 50%.

Identificação de novos depósitos passa até pelo uso de satélites

O Chile ilustra bem a diferença entre reservas e produção. De acordo com o USGS, o país teria 52% das reservas mundiais (excetuando-se a Bolívia), mas ocupam a vice-liderança na produção. A Argentina, por sua vez, deteria 13,8% das reservas mundiais conhecidas. Nos dois casos estamos falando do potencial de lítio contido em salmouras. A Austrália, com 11% das reservas mundiais, é hoje um dos principais protagonistas da exploração mineral do petróleo branco. O Brasil, por sua vez, é outro player que começa a aparecer: suas reservas foram atualizadas de 0,6% (apontadas pelo USGS) para 8% do total mundial, a partir do recente mapeamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a correspondente local do USGS.

Mesmo o Reino Unido, um país com grande tradição mineral, mas sem histórico destacado na produção de lítio, entrou na arena. Segundo a revista The Economist, o alvo é a região de Cornwall e a alta tecnologia, com uso de satélite, é a nova fonte de pesquisa da possível presença de depósitos minerais de lítio. O caso do Zimbabwe entra em outro patamar: o país africano está entre os dez maiores produtores mundiais, segundo o site Mining.com, e almeja produzir 10% do metal nos próximos quatro anos. O objetivo vai depender, é claro, de questões políticas. A geoestratégia também envolve uma provável associação entre a Bolívia, com grandes reservas na forma de salmoura, e a Índia, com a demanda do metal.

 

A corrida pelo lítio é estratégica: o mercado de baterias de íons de lítio cresce a uma taxa anual de 18,7%
A corrida pelo lítio é estratégica: o mercado de baterias de íons de lítio cresce a uma taxa anual de 18,7%

Produtores tradicionais ampliam produção na Austrália e América do Sul

Enquanto os novos players ensaiam a entrada na produção de lítio, os atores tradicionais avançam. É o caso da planta da Talison Lithium, na Austrália Ocidental. Ela é um exemplo da combinação entre demanda, infraestrutura e um depósito mineral importante.

Trata-se de uma operação de exploração de rochas pegmatíticas numa zona mineralizada com mais de 3 km de extensão e com alta concentração de lítio (variando entre 3,5% a 3,9% de óxido de lítio, contra uma média mundial entre 1% e 2%, segundo o site especializado Lithium). A unidade fica a 250 km do porto de Perth/Fremantle e a 90 km do porto de Bunbury, o maior de movimentação a granel da província australiana.

De acordo com o site Mining Global,  ela seria a maior mina mundial de lítio e vai passar pela  expansão mais importante de sua história, com investimentos de US$ 382 milhões. Os dados são de junho de 2018 e mostram que a capacidade total da planta vai mudar das atuais 608 mil toneladas de lítio de grau químico por ano para 1,95 milhão de toneladas. Mesmo a mais recente mina a entrar em operação, a de Pilgangoora, pertencente à Altura Mining, já foi ativada com a perspectiva de dobrar a produção atual de 220 mil toneladas de concentrado de lítio (espodumênio) em breve, segundo o The Sidney Morning Herald.

Tão ativos como os australianos estão os chilenos e argentinos. O Salar de Atacama, no Chile, é um dos mais famosos centros de produção, cercado por duas cadeias de montanhas. Como a água evapora rapidamente, o resultado no solo é um depósito oleoso e de cor amarela. O diferencial? Ter uma concentração alta de lítio (2,7 mil partes por milhão) e que vem sendo explorado pela Sociedad Quimica y Minera de Chile S.A (SQM). A Argentina, por sua vez, tem o  Salar de Hombre Muerto, no noroeste do país, com uma crosta mineral de cor branca e que tem uma fina camada de água, em função da pouca chuva que cai na região. É considerado um depósito de classe mundial e sedia o complexo químico da FMC Corporation.

Estados Unidos pesquisa lava de vulcões dormentes como fonte de lítio

Mais do que competição, por outro lado, o mercado de lítio aposta na coopetição. De acordo com o boletim mais recente do USGS (2017), há negociações entre produtores do Chile para joint-venture com australianos, com a meta de concentrar espodumênio no país da Oceania. Há outra joint-venture, entre chilenos e argentinos para desenvolver produção de lítio a partir de salinas na Argentina. No Brasil, que tem lítio na forma de depósitos minerais, o mapeamento de novas reservas no Vale do Jequitinhonha pode abrir novas fronteiras. A favor do país está a tradição mineral e a proximidade com grandes consumidores como os Estados Unidos, hoje supridos majoritariamente pela dupla Chile e Argentina.

Os norte-americanos, aliás, podem ter um suprimento adicional de lítio a partir de vulcões. Isso mesmo. Pesquisadores da Universidade de Stanford (https://news.stanford.edu/press-releases/2017/08/16/supervolcanoes-key-americas-electric-future/) desenvolveram técnicas de localização do metal depositado ao longo de anos e contidos na lava de erupções passadas em vulcões atualmente dormentes. É claro que existe uma diferença entre possibilidade e exploração comercial de fato. A única certeza é quem vai pautar as novas fronteiras: a procura pelas baterias de íons de lítio.

 

Leia também a primeira matéria sobre o tema:

Cinco fatos sobre o lítio, o petróleo branco, que você precisa saber

 

 

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