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"O que produzimos é areia e ponto final"

Com tecnologia Metso, a pedreira mais urbana de São Paulo explica como está consolidando o mercado de areia industrial no país

Considerada a mais urbana de São Paulo, a Pedreira São Matheus do Lajeado é uma das primeiras a produzir areia manufaturada no país, operando desde março de 2017. Com capacidade de 70 toneladas/hora ou 15 mil toneladas mensais, a unidade superou os desafios iniciais, que colocavam a qualidade do produto em dúvida, além da resistência do mercado à cor e à textura diferenciadas. “Na verdade, o que produzimos é areia e ponto final”, resume o Marcos Roberto Santos, engenheiro de minas responsável pela planta.

 

Pedreira São Matheus do Lageado, considerada a mais urbana de São Paulo.

 

“Coletamos amostras, realizando o “cara a cara” com as concreteiras e com os fabricantes de blocos de concreto de alta resistência, sugerindo traços, distribuindo produtos, realizando testes de laboratório em conjunto e, principalmente, afirmando que o produto que estamos oferendo é areia”, complementa. De acordo engenheiro Marcos, o consumo da areia manufaturada não conflita com o da areia natural. Ele é, inclusive, a favor do mix das duas, desde que a exploração ocorra dentro das normas ambientais.

Desafio atual é convencer pequenos consumidores

“Estamos oferecendo um produto cuja concepção é sustentável com granulométrica constante pelo fato de ser industrializado”, define o engenheiro. “O consumidor, por sua vez, terá a certeza de estar usando um produto padronizado”, complementa. De acordo com Marcos, os clientes atuais são as empresas com as quais a Lageado conseguiu realizar, em conjunto, testes de laboratórios e análise de resultados.

Vencido o desafio dos consumidores profissionais, o engenheiro avalia que os produtores de areia industrial devem focar na consolidação do produto junto ao pequeno consumidor. A lista inclui os profissionais à frente de pequenas obras, engenheiros, construtoras e também pedreiros e mestres de obras.

Conhecimento técnico definiu a escolha da Metso

“Adotamos a tecnologia da Metso por ser a empresa pioneira no processo de produção de areia a seco e por já existir, obviamente, uma relação técnica e comercial bem sucedida entre as duas empresas”, explica o engenheiro. A automação da planta é outro destaque, incluindo o controle da alimentação e do fluxo de carga, detalhes que permitem uma operação com o mínimo de interferência humana.

Um dos sucessos da ativação da unidade, de acordo com ele, foi a concepção do projeto, estruturado a quatro mãos com a Metso. Marcos destaca que, com a fabricação de areia, a empresa também deixa de ter o pó de pedra como produto final da linha de britagem e agrega, no mínimo, mais dois produtos à sua carteira de vendas.

Mesmo o filler, que é extraído da areia por meio do Aeroclassificador Metso, pode ser aproveitado comercialmente na pavimentação de estradas.

Os números da Lageado indicam as mudanças. No startup da linha, a mineradora tinha uma taxa de alimentação em torno de 80 t/h, sendo que 12 t/h era classificada no peneiramento e separada como pedrisco limpo (4,8 a 12 mm). O aeroclassificador, por sua vez, era alimentado  com 68 t/h com uma retirada de filler em torno de 6,4 a 7%.

Com a operação estabilizada, a Lageado trabalha com uma taxa de alimentação de 110 t/h, sendo que 25 t/h é classificada como pedrisco limpo. Já a retirada do filler está em torno de 9% para atender as necessidades dos principais clientes da empresa.

A estrutura da planta para produção de areia

“A planta de areia projetada para a Pedreira São Matheus do Lageado é muito simples e ao mesmo tempo extremamente funcional e produtiva”, resume Maria Thereza Müsel, Key Account da Metso Brasil na área de agregados. De acordo com ela, a operação é composta de três equipamentos. O primeiro é o moinho autógeno Barmac, que tem a função de melhorar a cubicidade do material, tornando-o mais próximo da areia de rio. O segundo é uma peneira CBS, que proporciona flexibilidade à planta: ela permite a produção de um material mais grosso do que a areia ou ainda a oferta de algo pontual solicitado pelo mercado.

O terceiro equipamento é o Aeroclassificador Metso, considerado o coração da planta, por extrair o filler da areia. Com os três equipamentos alinhados, a Lageado produz e armazena areia em uma pilha “feijão”, gerada por meio do transportador de correias. “A unidade possui ainda um sistema de automação, cujo objetivo é garantir que se opere na taxa de alimentação adequada”, finaliza Maria Thereza.

 

Parceria de longo prazo com Metso

Parceira de longo prazo com a Metso, da qual emprega vários equipamentos em sua planta de britagem e produção de areia, a Lageado se autointitula como a mais urbana da cidade de São Paulo, distante 20 km do centro da capital do estado mais rico do Brasil. A operação já completou 60 anos e o foco principal da empresa é o mercado de construção civil. O projeto de produção de areia industrial foi pensado pela empresa em função de sua gestão diferenciada e comprometida com o meio-ambiente.

O compromisso pode ser comprovado com o estudo de destinação do pó residual da produção de areia industrial em aplicações da indústria cerâmica, segundo informe oficial da Lageado. Já a areia industrial, atualmente em produção, tem um campo de aplicação vasto, desde a produção de concretos estruturais em betoneiras ou centrais de concreto, usinas de asfalto (CBUQ, PMF e PMQ), fábricas de pré-moldados (lajes, blocos, tubos e pisos intertravados) e ainda como produto drenante e filtros em estações de tratamento de esgoto (ETEs).

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