Share to Facebook Share to Twitter Share to Twitter More...

MRN define reparo em equipamento com engenharia da Metso

Plano de manutenção em retomadora de minério foi elaborado a quatro mãos e executado no prazo definido de 14 dias

Todo mundo conhece o alumínio, mas poucos sabem que a matéria prima do metal é a bauxita.  No Brasil, a Mineração Rio do Norte (MRN) é a maior produtora, tendo entregue 16,3 milhões de toneladas em 2017.  O processo envolve a extração na mina em Porto Trombetas (PA), onde acontece o beneficiamento, e a etapa final de transporte ferroviário (28 km) até o porto às margens do Rio Trombetas, no extremo oeste do Pará.

Cada peça conta na logística, principalmente a retomadora do minério, equipamento utilizado para movimentar a produção no pátio da empresa.  Mas ocorre que a máquina, pesando 300 toneladas, apresentou um revés em 2017, cujo reparo tinha o desafio de acontecer em 14 dias.  A solução? Engenharia e planejamento.

“O problema envolvia os pinos da contrabalança, uma espécie de braço da retomadora, o que obrigou o equipamento a operar com restrições durante mais de um ano”, resume Willison Jean Silva Marinho, gerente do Departamento de Manutenção Mecânica e Industrial da MRN.  Segundo ele, desde a detecção do problema a empresa monitorou a retomadora por questões de segurança e estabeleceu que a intervenção deveria ser executada no primeiro semestre de 2018.

Willison Jean Silva Marinho – Gerente do Departamento de Manutenção Mecânica e Industrial da MRN

Durante a parada programada, a mineradora iria usar o sistema alternativo de carregamento que, por ser de emergência, não poderia ser estendido por muito tempo sem afetar a produção.  Para se ter uma ideia da complexidade, a operação consumiu 264 horas e uma equipe de 26 colaboradores trabalhando em dois turnos de 12 horas cada.  Somente a fase de execução do reparo em si consumiu nove dos 14 dias, o período entre a mobilização e desmobilização total.

Movimentação envolveu dois guindastes de grande capacidade

Para realizar o reparo – troca de pinos da contralança – a MRN consultou algumas empresas.  Uma das opções sugeridas era o corte de partes da contralança e sua posterior soldagem, viabilizando a intervenção em separado do equipamento.  A mineradora, no entanto, resolveu movimentar a retomadora sem cortar a contralança.  Para isso, a operação envolveu dois guindastes de grande capacidade: o primeiro deles, de 160 toneladas, foi usado para segurar a peça.  O menor, de 75 toneladas, fez a movimentação dos pinos, justamente a peça que apresentou o problema, e outros componentes.

A execução do reparo exigiu iniciativas específicas, como a retirada cuidadosa dos contrapesos da máquina, evitando que eles se quebrassem.  A parceria também levou a Metso a auxiliar a MRN no desenvolvimento do croqui e apoio técnico na fabricação de duas estruturas metálicas – uma com 12 metros de altura e peso aproximado de 12 toneladas e outra com 9 metros de altura e peso aproximado de 9 toneladas – usadas como apoio da lança da retomadora durante a realização dos serviços.  O mesmo suporte aconteceu para a fabricação do dispositivo utilizado no lugar do cilindro de basculamento durante a manutenção.

“Optamos por estabelecer um procedimento recomendado pelo fabricante da retomadora, no caso a Metso, tanto para a movimentação da contralança como para a especificação dos materiais”, explica Marinho.  No primeiro caso, a MRN reforçou o plano de içamento da contralança – cuja movimentação inadequada poderia colocar a máquina toda em risco.  No reparo em si, a especialização do fabricante permitiu que peças complementares, caso do mancal do pino, fossem igualmente reparadas ou substituídas. “Fizemos um trabalho a quatro mãos, com a participação ativa da engenharia da Metso, inclusive da filial dos Estados Unidos”, complementa o especialista da MRN.

O trabalho de equipe citado por Marinho envolveu as áreas de suporte ao produto, engenharia e execução de campo da Metso.  O processo foi consolidado em pouco mais de um mês, devido a sua grande complexidade e a necessidade de coleta de informações nas dependências do cliente.  Ao todo, oito profissionais especializados trabalharam diretamente no projeto, além da participação de especialistas da própria MRN.  Na prática, a execução do reparo foi validada pelo teste de operação que durou 24 horas.

Danilo Caserta e Augusto Alves, engenheiros do Suporte ao Produto da Metso Brasil, foram envolvidos em duas frentes de trabalho, a primeira foi o trabalhar junto aos fornecedores de forma rápida para obtenção das peças necessárias na intervenção, em paralelo foi desenvolvido o procedimento de troca dos componentes, juntamente com a engenharia Metso estrutural e mecânica, afim de garantir a integridade do equipamento e das pessoas envolvidas na troca das peças.

“A etapa crucial neste processo foi a definição técnica para solução da falha ocorrida, atuamos de maneira rápida e integrada para identificação do problema, sua causa, impactos operacionais e melhor alternativa para correção.  Foi necessário agir rápido para identificar as peças necessárias a serem substituídas buscando no menor prazo possível para reestabelecer operacionalidade segura do equipamento envolvido. “ concluem Danilo e Augusto.

Ação rápida garantiu que o reparo fosse finalizado dentro do prazo limite

Marinho destaca que a parceria foi fundamental para que a empresa estudasse consultar a Metso no caso de manutenção das outras três retomadoras, das quais duas estão localizadas na planta de beneficiamento e uma no porto (expedição de navios).  “Nosso planejamento inicial envolveu uma parada de nove dias que poderia ser estendida para 14”, detalha.  “Quando desmontamos a contralança e percebemos que outros reparos precisavam ser feitos, houve a ação da Metso, inclusive com deslocamento de outros profissionais de Sorocaba (SP) para Porto Trombetas (PA), mantendo o prazo”, reforça o gerente da MRN.

Quando desmontamos a contralança e percebemos que outros reparos precisavam ser feitos, houve a ação da Metso, inclusive com deslocamento de outros profissionais de Sorocaba (SP) para Porto Trombetas (PA)

 

Diego Polaz Mateus, coordenador da área de Serviços da Metso, esteve envolvido diretamente no reparo da retomadora e destaca a segurança do processo como um diferencial.  “É uma manutenção de alto risco que, mal programada, poderia colocar em risco a vida dos profissionais, o equipamento e a produção da MRN”, destaca.  De acordo com ele, o escopo do reparo incluiu a substituição dos pinos das articulações principais, dos pinos inferiores do mastro e de cilindros de basculamento da retomadora.  “A ação rápida em relação às circunstâncias em campo, garantiram o sucesso do processo e cumprimento do cronograma”, explica.

 

Parceria ocorre desde instalação da MRN

A Metso participa das operações da MRN desde a ativação da mineradora, com o fornecimento de equipamentos.  Atualmente, a parceria vem sendo fortalecida na área de serviços, incluindo peças e assistência técnica, com destaque para soluções de engenharia que envolvem elevado grau de conhecimento técnico. 

“Destacamos a satisfação do cliente com o resultado da intervenção, o que reforçou a capacidade técnica como um fator determinante na parceria”

O rol de ações inclui, por exemplo, o fornecimento de engrenagens para os secadores do porto da mineradora, cujo escopo inclui peças, serviços e engenharia.

No caso específico de reparo da retomadora, trata-se do primeiro tipo de serviço do gênero realizado pela Metso no Brasil e um marco em função da alta complexidade e do risco associado.  “Destacamos a satisfação do cliente com o resultado da intervenção, o que reforçou a capacidade técnica como um fator determinante na parceria”, finaliza Mateus.

 

Sobre a MRN:

Maior produtora brasileira de bauxita, matéria-prima do alumínio, a MRN é constituída por uma associação de empresas nacionais e estrangeiras que desde 1979 opera em plena Amazônia, no oeste do estado do Pará. A mineradora é considerada uma das melhores empresas para se trabalhar na Amazônia e possui (dados de 2017) mais de 1,4 mil colaboradores diretos, sendo 88% deles originários da região Norte do Brasil.

Produtos relacionados