Em 2024, o mercado global de soluções circulares na mineração foi estimado em US$ 12,9 bilhões pela Grandview Research, com projeção de alcançar US$ 25,3 bilhões até 2033, impulsionado por recuperação de metais, reprocessamento de rejeitos e maior rastreabilidade de materiais.
Essa mudança nasce de demandas reais: necessidade de eficiência, redução de custos e, sobretudo, mitigação de riscos ambientais, regulatórios e de suprimentos. Para a Metso, circularidade não começa no resíduo; ela começa no projeto das soluções, na modelagem dos contratos e nas decisões industriais ao longo de todo o ciclo de vida dos nossos produtos.
Quando falamos de circularidade na Metso, tratamos de quatro pilares práticos: metais, borracha, polímeros e modelos de negócio que conectam toda a cadeia.
Circularidade metálica: a sucata que volta a ser ativo
A indústria mineral sempre gerou grandes volumes de sucata metálica: revestimentos de moinhos, peças de desgaste, carcaças de bombas, mantos, entre outros. Tradicionalmente, esse material era vendido como sucata genérica, sem rastreabilidade e sem vínculo com sua origem.
O que mudou foi a compreensão do valor.
Hoje, adotamos modelos estruturados de retorno dessa sucata às nossas fundições. O reaproveitamento de metais acompanha tendências globais: cobre, alumínio, ouro e prata têm alto potencial de reciclagem e mantêm propriedades mesmo após vários ciclos de reaplicação.
Além de reduzir o consumo de matéria‑prima primária, esse reaproveitamento diminui emissões associadas à extração. A Agência Internacional de Energia (IEA) reforça que a reciclagem será essencial para suprir a demanda crescente por minerais críticos e reduzir a dependência de novas minas.
Borracha: da complexidade à engenharia aplicada
Se o metal já possui rotas consolidadas, a borracha historicamente representa maior complexidade. Revestimentos de moinhos, por exemplo, combinam borracha e metal em estruturas difíceis de separar.
Nos últimos anos, avançamos em processos mecânicos e térmicos de separação, além de estudos em pirólise (tecnologia capaz de recuperar óleo, gás e negro de carbono). Globalmente, o setor progride em soluções para transformar resíduos antes considerados inviáveis, alinhando-se às diretrizes internacionais de circularidade no setor mineral.
Nada disso é simples. São rotas que exigem escala, competitividade e segurança operacional, exatamente o ponto onde circularidade deixa de ser conceito e se torna engenharia aplicada.
Polímeros: do descarte ao retorno à cadeia
Polímeros de alto volume, como o polipropileno (PP) usado em placas de filtragem e peneiramento, eram tradicionalmente descartados. Hoje, com rotas estruturadas de coleta e reciclagem, transformamos esses materiais em matéria‑prima secundária.
Na América do Sul, já vemos resultados concretos: esses polímeros voltam ao mercado como pallets, mobiliário e componentes industriais. O impacto é duplo: reduzimos descarte e reintegramos ao modelo econômico um custo que já existia, o da destinação final.
O Brasil avança rápido. Em 2024, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) lançou projetos nacionais para integrar economia circular à mineração, incluindo reaproveitamento de resíduos e identificação de minerais recuperáveis em rejeitos.
Modelos de negócio: circularidade só funciona quando fecha a conta
Uma lição clara dessa jornada é que circularidade não avança apenas com tecnologia ou boa intenção. Ela depende de modelos econômicos sólidos. Isso envolve:
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compreender custos de descarte,
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definir mecanismos de crédito e compensação,
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integrar sucata e resíduos aos contratos de serviços e aftermarket.
A circularidade só se sustenta quando gera vantagem competitiva para todos os envolvidos. Essa visão está alinhada às recomendações do Global Mining Guidelines Group (GMG), que reforça a importância de modelos colaborativos para escalar circularidade na mineração.
Brasil e América do Sul: terreno fértil para inovação
O Brasil ocupa um papel estratégico nesse movimento. Conta com base industrial robusta, proximidade das grandes operações de mineração e pressão regulatória crescente. Em 2024, o governo federal lançou a Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC), com diretrizes para reduzir rejeitos e ampliar o reaproveitamento de materiais.
O setor privado também avança. Em 2025, mineradoras como Vale, Gerdau e Itaminas registraram crescimento significativo no reaproveitamento de materiais. A Vale, por exemplo, produziu 12,7 milhões de toneladas por fontes circulares em 2024 e projeta alcançar 10% de sua produção via rotas circulares até 2030.
Esse ambiente regulatório, econômico e industrial cria condições ideais para que pilotos desenvolvidos no Brasil sejam escalados globalmente dentro da Metso.
Circularidade não é o futuro. É o presente.
A circularidade na mineração já é realidade. A diferença está entre empresas que a tratam como ação ambiental isolada e aquelas que a incorporam como pilar estratégico de operação, negócio e tecnologia.
Na Metso, circularidade gera valor ambiental, mas também operacional, financeiro e estratégico. Ela reduz riscos, amplia eficiência, fortalece a cadeia de suprimentos e prepara o setor mineral para responder às demandas da transição energética global.
Em uma operação no Brasil, por exemplo, identificamos mais de 3 mil toneladas anuais de sucata metálica dividida entre alto e baixo cromo, aço carbono, ferro‑manganês e outros metais. Hoje, esse volume é vendido ao mercado de sucata sem rastreabilidade, resultando em perda de valor e de visibilidade.
Ao analisar tecnicamente esse fluxo, verificamos que cerca de 95% desse material poderia retornar à nossa fundição em Sorocaba. Em vez de se perder no mercado genérico, pode ser reintegrado ao nosso processo produtivo com rastreabilidade, controle metalúrgico e alinhamento às metas de neutralidade de carbono.
Além de reduzir o consumo de matéria‑prima primária e gerar economias estimadas em 10% no custo de insumos metálicos, estruturamos esse modelo para permitir que parte do pagamento da sucata seja convertida em novos equipamentos e soluções Metso. Assim, circularidade deixa de ser apenas eficiência industrial e se torna também alavanca de negócios e fortalecimento da parceria de longo prazo com o cliente.