Durante a conversa, Lennon detalhou como a Vale estruturou uma das maiores redes privativas industriais dedicadas ao setor mineral. Essa infraestrutura foi desenvolvida para responder às demandas operacionais da mina, ferrovia, porto e áreas de beneficiamento, permitindo operar um ecossistema de sensores distribuídos, perfuratrizes conectadas, sistemas de detecção de fadiga e equipamentos autônomos com alta disponibilidade e baixa latência (menor tempo de resposta desde o sensor até o sistema de monitoramento).
A Metso integra esse ecossistema ao fornecer tecnologia embarcada em seus equipamentos e soluções que se conectam diretamente a essas redes, possibilitando análises avançadas, monitoramento contínuo e diagnósticos mais precisos, auxiliando as equipes de operação e manutenção na melhor definição de intervenções no equipamento quanto à periodicidade, tempo e materiais a serem substituídos.
Segundo Lennon, a estratégia de automação da companhia se apoia em três pilares principais: segurança, ao reduzir a presença humana em áreas de risco; produtividade, ao otimizar o consumo de diesel, pneus e ciclos de operação; e sustentabilidade, com avanço para veículos elétricos e redução de emissões. A integração com equipamentos e sistemas conectados da Metso complementa essa estrutura, permitindo que dados operacionais sustentem decisões mais rápidas e técnicas, evitando falhas catastróficas em equipamentos operacionais. As falhas catastróficas parte, inicialmente, de uma falha menor que, com o tempo vai se desenvolvendo e gerando falhas em outras partes dos equipamentos, gerando assim uma falha muito maior se não diagnosticado antecipadamente. Os sistemas conectados têm, como um de seus objetivos, identificar tendências de falha (seja por um aumento de temperatura no óleo refrigerante ou em um mancal de rolamentos, uma leitura de amperagem superior à nominal de um motor, saturação de filtros de óleo, fluxo e vazão de óleo hidráulico etc). Com a identificação da tendência de falha, pode-se programar uma detenção do equipamento para atuar diretamente na causa raiz da falha, reduzindo sistematicamente a chance de uma falha catastrófica, que levaria a um aumento de custos de manutenção – com utilização de novas peças que seriam desnecessárias quando a intervenção é realizada adequadamente. É notável também a redução de exposição ao risco de colaboradores de manutenção bem como a redução do custo de mão de obra atrelada à manutenção. Não menos importante, é possível identificar o aumento da disponibilidade física do equipamento ao longo do tempo, pois as intervenções se tornam mais rápidas e assertivas, disponibilizando o equipamento para retorno à operação de forma ágil.