Mineração
Publicado set 1, 2026

Novas tecnologias ganham destaque sobre o futuro da mineração na Exposibram 2026

Ricardo Takeda e Luís Mascarenhas, executivos da empresa, participaram do congresso do evento, indicando tecnologias para a nova fase da mineração.
Participação da Metso no Congresso Brasileiro de Mineração
Participação da Metso no Congresso Brasileiro de Mineração

A Exposibram 2026, principal evento da mineração brasileira, contou com a participação da Metso de duas formas: um estande na área externa e a presença dos diretores Ricardo Takeda e Luís Mascarenhas na programação do congresso paralelo à exposição.

Takeda, diretor Comercial, foi um dos convidados para a mesa redonda que discutiu a cooperação e a cadeia de valor sustentável do cobre, uma iniciativa de avaliar o relacionamento dos produtores brasileiros e os consumidores de concentrado de cobre na União Europeia (UE). A discussão destacou a parceria estratégica, uma vez que o Brasil é o principal fornecedor do insumo para a UE.

Ele ressaltou que novas tecnologias podem ajudar a fortalecer a cadeia de valor. No caso do beneficiamento e processamento de minérios, Takeda apontou a otimização dos sistemas de moagem e a automação já existentes nas operações de cobre no Brasil. O diretor também destacou o lançamento de tecnologias voltadas para a flotação de ultrafinos e também de grossos. O objetivo é aumentar a taxa de recuperação mineral do concentrado de cobre e estender a viabilidade de depósitos complexos.

O executivo mostrou ainda que a digitalização pode contribuir na indústria do cobre, com recursos como o controle otimizado de britagem, moagem e flotação por meio de câmeras inteligentes, sensores de granulometria e analisadores químicos em tempo real. Com olhar no futuro, os gêmeos digitais como o Geminex da Metso têm a capacidade de simular os cenários operacionais, antecipar falhas nos equipamentos e buscar a operação ótima nas plantas industriais.

Já o monitoramento contínuo, por meio de centros de operação remota, ajuda a reduzir a necessidade de deslocamento em campo e diminui a exposição de profissionais a áreas de risco nos sites de mineração, além de atuar proativamente nas manutenções preditivas, afim de aumentar a produtividade e a confiabilidade dos ativos.

A digitalização igualmente pode ser usada para a requalificação de mão de obra. É o caso dos simuladores. Trata-se de uma técnica imersiva e segura, já amplamente usada na aviação para treinar pilotos, que permite que os operadores passem por horas de capacitação e simulação em ambiente virtual de sala de controle, antes de atuar na planta física, nas salas de controle operacional. Esses simuladores fazem parte do Metso Academy, destacou Takeda.

Takeda em rodada de negócios
Ricardo Takeda na rodada de negócios

Foco em tecnologias com retorno efetivo

O diretor de Contas Globais, Luís Mascarenhas, participou do painel Tendências Transformadoras na Cadeia Produtiva da Indústria Mineral. O encontro mostrou que a transformação da mineração não ocorre de maneira isolada em pontos específicos da operação e que para gerar valor real, sustentável e produtivo, é necessária uma evolução coordenada entre todos os elos da cadeia.

Mascarenhas destaca que o debate foi pautado por quatro temas: segurança, inovação, pessoas e custo/competitividade.

Em relação à segurança, o executivo ressaltou que esse tema deixou de ser apenas um requisito normativo para se tornar o motor da adoção de novas tecnologias que reduzem a exposição humana ao risco. Para isso, os especialistas apontaram soluções como o uso de geologia digital na fase de exploração, automação de operações críticas na mina e monitoramento remoto com o objetivo de reduzir a exposição humana às áreas de risco.

Sobre inovação, o painel de especialistas indicou a importância de identificar tecnologias que geram retorno efetivo versus aquelas ainda em maturação. É o caso da modernização de ativos existentes e da adoção dos gêmeos digitais.

No debate sobre pessoas, Mascarenhas lembra que o consenso entre os painelistas foi claro: a tecnologia só gera valor quando operada por equipes preparadas. Para ele, a indústria mineral tem o desafio de integrar profissionais jovens, com alta habilidade digital, mas pouca vivência prática, com especialistas experientes, que detêm profundo conhecimento operacional, mas menor destreza digital.

Ele também destacou que é importante fomentar a IA no dia a dia do setor, com ferramentas que simplifiquem processos, gerem relatórios integrados e centralizem o conhecimento operacional.

O debate sobre custos e competitividade trouxe o TCO, sigla para custo total de operação, como um dos conceitos que precisa ser acompanhado de perto. Para os especialistas, a avaliação de investimentos em tecnologias deve considerar todo o ciclo de vida dos ativos, manutenção preditiva, disponibilidade, segurança na implementação e na operação, além dos impactos ambientais.

Outra iniciativa importante é o envolvimento precoce (Early Involvement), ou seja, aproximar fornecedores e mineradoras nas fases iniciais dos projetos para a escolha assertiva das soluções tecnológicas mais viáveis.

O painel concluiu que o relacionamento entre mineradoras e fornecedores precisa evoluir do modelo transacional, focado apenas em menor preço, para parcerias estratégicas baseadas em confiança, transparência e mitigação de riscos operacionais, que geram melhores custos específicos por unidade produzida, além de melhor impacto ambiental. “A mineração do futuro dependerá de uma rede conectada capaz de integrar inovação, circularidade, descarbonização e qualificação profissional”, resumiu Mascarenhas.

Luis Mascarenhas Congresso de Mineração
Luis Mascarenhas em painel do Congresso de Mineração
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