Diferente da venda tradicional, onde o fornecedor obtém seus rendimentos apenas na entrega do equipamento ou peça, neste modelo a Metso faz a gestão de um contrato de serviços envolvendo máquinas, mão-de-obra e peças, sendo remunerada pela produção efetiva.
Isso significa assumir o risco junto com o cliente, uma vez que que a remuneração somente acontece se as metas de produção forem cumpridas. O novo formato cria uma relação de confiança e transparência, com objetivo comum de melhorar a eficiência em todos os aspectos, da segurança à produção e sustentabilidade.
Com isso, a mineradora deixa de se preocupar isoladamente com a operação e foca na demanda estratégica de mercado e na operação global. Ela confia a planta ao parceiro e acompanha o desempenho diário por meio de relatórios semanais e reuniões sistemáticas, que compartilham dados da planta e planejamento de produção.
Em resumo, a mineradora alinha sua meta de produção com um parceiro operacional estratégico - e não apenas um fornecedor de produtos e serviços – que entrega a produção mineral definida em contrato.
Pioneira na construção desse modelo de negócios no mundo, a unidade brasileira da Metso, a partir dos resultados comprovados, é referência para outros países, a começar pelo Peru, que também tem uma tradição mineral consolidada.
Baixo investimento inicial
Ao fornecer equipamentos, combinados com peças, e mão-de-obra de operação e manutenção, o modelo desenhado pela Metso retira o peso do investimento inicial (Capex) do balanço da mineradora. Além disso, em projetos novos (greenfield) é possível financiar plantas completas, como é o caso de filtros e espessadores, e diluir esse custo ao longo do tempo do contrato.
Outro ganho é a redução de riscos operacionais, uma vez que, ao assumir a operação e manutenção, a Metso traz sua base de dados global e benchmarks de outros sites para dentro da planta da mineradora. Isso gera confiabilidade na tomada de decisão, pois as lições aprendidas em outros contratos podem ser aplicadas para evitar erros e otimizar a rampa de produção.
O contrato por desempenho igualmente agrega agilidade ao negócio da mineradora. A necessidade de apresentar resultados rápidos para garantir o faturamento torna a mobilização mais ágil, inclusive com tecnologias móveis e modulares, já usadas em campo.
A segurança técnica e o modelo de remuneração podem ainda ajudar a vencer a burocracia interna e convencer os stakeholders por meio de resultados imediatos, permitindo avançar de forma acelerada na abertura de novas cavas.
Segurança como parâmetro básico
O foco no desempenho não compromete a segurança. Pelo contrário: a eficiência operacional só é possível pelos índices positivos de segurança. Os contratos por desempenho acompanham programas de segurança que promovem o bem-estar e garantem a integridade física e psicológica dos operadores.
A modernização tecnológica promovida pelo modelo impacta diretamente na segurança no chão de fábrica. É o caso, por exemplo, da modernização das células de flotação, onde a eliminação de correias e componentes de desgaste reduz a necessidade de manutenção frequente, diminuindo a exposição dos técnicos a riscos operacionais. Além disso, o monitoramento previne falhas em equipamentos, garantindo um ambiente mais controlado.
A segurança nesse modelo atua como o balizador da velocidade: ela é garantida pela competência técnica e pela inteligência de dados, permitindo que as mineradoras operem no limite da eficiência sem cruzar a linha do perigo.
Monitoramento extremo
A automação e o monitoramento nos contratos por desempenho da Metso evoluíram para um conceito de "monitoramento extremo". Essa abordagem não se limita apenas a vigiar a saúde mecânica dos equipamentos, mas integra o monitoramento digital do processo produtivo em tempo real para tomar decisões quase instantâneas.
Traduzindo: a implementação de uma camada tecnológica profunda gera um grande volume semanal de dados, que é aproveitado em duas frentes: a primeira delas foca na saúde dos ativos, com uso, por exemplo, de acelerômetros para monitorar o movimento das peneiras e sensores de temperatura para acompanhar o óleo hidráulico dos britadores.
Ainda nesse campo é possível implementar tecnologias inéditas nos contratos, como câmeras de monitoramento digital de imagem e sensores de umidade. Há casos de uso de câmeras em transportadores de correias, que medem a granulometria e a qualidade de entrada do material em tempo real.
Outra forma de aproveitar o grande volume de dados gerados é a automação para redução de variabilidade na planta. Com a automação é possível por exemplo, detectar umidades críticas no material processado antes que isso cause entupimentos, permitindo ainda ajustar a taxa de alimentação ou mexer na carga. Isso mantém a planta operando continuamente, ainda que em ritmo ajustado, evitando a parada total.
Com uso de automação, a tomada de decisão torna-se muito mais interativa e rápida. O sistema desenvolvido pela Metso controla a taxa, o tipo de ROM (Run of Mine) e o produto final, de forma dinâmica, para maximizar a produção.