abr 9, 2026

Novo modelo de negócios redefine a mineração com contratos que reduzem Capex, otimizam Opex e aceleram a operação

Um novo modelo de negócios, criado pela Metso e baseado em desempenho, vem sendo adotado por várias mineradoras. A principal vantagem é a sincronia de objetivos.
LCS

Diferente da venda tradicional, onde o fornecedor obtém seus rendimentos apenas na entrega do equipamento ou peça, neste modelo a Metso faz a gestão de um contrato de serviços envolvendo máquinas, mão-de-obra e peças, sendo remunerada pela produção efetiva.

Isso significa assumir o risco junto com o cliente, uma vez que que a remuneração somente acontece se as metas de produção forem cumpridas. O novo formato cria uma relação de confiança e transparência, com objetivo comum de melhorar a eficiência em todos os aspectos, da segurança à produção e sustentabilidade.

Com isso, a mineradora deixa de se preocupar isoladamente com a operação e foca na demanda estratégica de mercado e na operação global. Ela confia a planta ao parceiro e acompanha o desempenho diário por meio de relatórios semanais e reuniões sistemáticas, que compartilham dados da planta e planejamento de produção.

Em resumo, a mineradora alinha sua meta de produção com um parceiro operacional estratégico - e não apenas um fornecedor de produtos e serviços – que entrega a produção mineral definida em contrato.

Pioneira na construção desse modelo de negócios no mundo, a unidade brasileira da Metso, a partir dos resultados comprovados, é referência para outros países, a começar pelo Peru, que também tem uma tradição mineral consolidada. 

 

Baixo investimento inicial

Ao fornecer equipamentos, combinados com peças, e mão-de-obra de operação e manutenção, o modelo desenhado pela Metso retira o peso do investimento inicial (Capex) do balanço da mineradora. Além disso, em projetos novos (greenfield) é possível financiar plantas completas, como é o caso de filtros e espessadores, e diluir esse custo ao longo do tempo do contrato.

Outro ganho é a redução de riscos operacionais, uma vez que, ao assumir a operação e manutenção, a Metso traz sua base de dados global e benchmarks de outros sites para dentro da planta da mineradora. Isso gera confiabilidade na tomada de decisão, pois as lições aprendidas em outros contratos podem ser aplicadas para evitar erros e otimizar a rampa de produção.

O contrato por desempenho igualmente agrega agilidade ao negócio da mineradora. A necessidade de apresentar resultados rápidos para garantir o faturamento torna a mobilização mais ágil, inclusive com tecnologias móveis e modulares, já usadas em campo.

A segurança técnica e o modelo de remuneração podem ainda ajudar a vencer a burocracia interna e convencer os stakeholders por meio de resultados imediatos, permitindo avançar de forma acelerada na abertura de novas cavas.

 

Segurança como parâmetro básico

O foco no desempenho não compromete a segurança. Pelo contrário: a eficiência operacional só é possível pelos índices positivos de segurança. Os contratos por desempenho acompanham programas de segurança que promovem o bem-estar e garantem a integridade física e psicológica dos operadores.

A modernização tecnológica promovida pelo modelo impacta diretamente na segurança no chão de fábrica. É o caso, por exemplo, da modernização das células de flotação, onde a eliminação de correias e componentes de desgaste reduz a necessidade de manutenção frequente, diminuindo a exposição dos técnicos a riscos operacionais. Além disso, o monitoramento previne falhas em equipamentos, garantindo um ambiente mais controlado.

A segurança nesse modelo atua como o balizador da velocidade: ela é garantida pela competência técnica e pela inteligência de dados, permitindo que as mineradoras operem no limite da eficiência sem cruzar a linha do perigo.

 

Monitoramento extremo

A automação e o monitoramento nos contratos por desempenho da Metso evoluíram para um conceito de "monitoramento extremo". Essa abordagem não se limita apenas a vigiar a saúde mecânica dos equipamentos, mas integra o monitoramento digital do processo produtivo em tempo real para tomar decisões quase instantâneas.

Traduzindo: a implementação de uma camada tecnológica profunda gera um grande volume semanal de dados, que é aproveitado em duas frentes: a primeira delas foca na saúde dos ativos, com uso, por exemplo, de acelerômetros para monitorar o movimento das peneiras e sensores de temperatura para acompanhar o óleo hidráulico dos britadores.

Ainda nesse campo é possível implementar tecnologias inéditas nos contratos, como câmeras de monitoramento digital de imagem e sensores de umidade. Há casos de uso de câmeras em transportadores de correias, que medem a granulometria e a qualidade de entrada do material em tempo real.

Outra forma de aproveitar o grande volume de dados gerados é a automação para redução de variabilidade na planta. Com a automação é possível por exemplo, detectar umidades críticas no material processado antes que isso cause entupimentos, permitindo ainda ajustar a taxa de alimentação ou mexer na carga. Isso mantém a planta operando continuamente, ainda que em ritmo ajustado, evitando a parada total.

Com uso de automação, a tomada de decisão torna-se muito mais interativa e rápida. O sistema desenvolvido pela Metso controla a taxa, o tipo de ROM (Run of Mine) e o produto final, de forma dinâmica, para maximizar a produção.

Inteligência artificial como aliada na operação

Como os contratos da Metso baseados em desempenho têm grande nível de automação e geram uma base de dados primários, a empresa pode aplicar recursos de inteligência artificial (IA) para reduzir a variabilidade do processo e aumentar a produção, sem a necessidade de elevar a potência instalada.

Os dados gerados por sensores e câmaras, entre outros, alimentam um algoritmo que aprende com o feedback dos operadores. Na prática, isso permite uma tomada de decisão instantânea: se o sistema detecta risco de entupimento por umidade, como citado acima, ele ajusta a taxa de alimentação automaticamente para manter a planta rodando, reduzindo a variabilidade

Os algoritmos funcionam como "organismos vivos" que aprendem com o feedback humano e dados operacionais, gerados por sensores de temperatura e granulometria, entre outros. O resultado é a otimização das taxas de produção.

Importante: A tecnologia não substitui as pessoas; pelo contrário, a IA depende do feedback da equipe treinada para se tornar mais complexa e assertiva.

 

Monitoramento remoto

Um dos diferencias do modelo da Metso é o seu Centro de Monitoramento da em Sorocaba, interior de São Paulo, que atua como uma sala de controle centralizada de supervisão remota, e em tempo real, das operações e contratos de serviços.

Isso permite que a equipe técnica da empresa acompanhe o desempenho dos equipamentos e o andamento das implementações sem estar fisicamente no site da mina.

O centro serve como o hub para o monitoramento extremo e recebe o fluxo maciço de dados (gigabytes por semana) gerados pelos sensores de temperatura, acelerômetros, câmeras digitais e analisadores de umidade instalados nas mineradoras.

Essa estrutura permite que a Metso utilize sua base técnica para dar suporte às equipes locais, garantindo que a tecnologia e os algoritmos de IA estejam desempenhando conforme o esperado para manter os níveis de produção contratados.

Em essência, o centro de Sorocaba é o "olho digital" da empresa, garantindo que a inteligência gerada pelos sensores na ponta seja transformada em gestão e resultados monitorados à distância.

 

Zero Capex em bombas

Os contratos por desempenho, iniciados nas áreas de britagem e peneiramento, já migraram para outras etapas do processamento mineral e um deles é a gestão de bombas, equipamentos críticos em várias operações minerais.

Nesse caso, o modelo de negócio garante aos clientes acesso a equipamentos novos sem necessidade de investimento inicial. Os contratos estão disponíveis em três modalidades: peças por demanda, consignado combinado a serviços e um formato amplo, chamado de LCS Completo.

Nas duas primeiras opções, a propriedade da bomba é transferida ao cliente apenas ao final do contrato, diferente do LCS Completo, onde a transferência ocorre imediatamente, no momento da entrega.

As metas de desempenho podem ser definidas considerando redução do custo de propriedade, vida útil de componentes e disponibilidade de peças. Ao adotar soluções baseadas em desempenho, as mineradoras conseguem uma aplicação otimizada, redução de Capex/Opex e, acima de tudo, a segurança de proteção de ativos críticos por especialistas comprometidos com resultados.

E mais: a transição para novo formato significa trocar a incerteza das falhas imprevistas pela previsibilidade de um pagamento baseado em performance, garantindo que a planta opere sempre em seu ponto de máxima eficiência hídrica e energética.

Um dos pontos mais disruptivos na área de bombas é o Programa Zero Capex, que permite a modernização da planta sem a necessidade de desembolso inicial de capital. Esta opção é ideal para mineradoras que buscam reduzir seu risco financeiro e custo administrativo.

Aplicação em filtragem

A aplicação do modelo de remuneração por desempenho da Metso também está sendo expandido para toda área úmida de processamento mineral, uma vez que a empresa tem o legado da Outotec, gigante desse setor e adquirida em 2020.

Um dos pontos mais estratégicos, nessa expansão, é a capacidade da Metso de financiar plantas completas de desaguamento, espessadores e filtros. Como o investimento em rejeitos é frequentemente visto pelas mineradoras apenas como um gasto, pois não gera produto vendável direto, esse modelo permite que a Metso faça o investimento inicial nos equipamentos e dilua o custo ao longo do tempo do contrato.

A aplicação em filtragem já é uma realidade em contratos ativos na Índia e no Chile e as duas experiências servem como base de lições aprendidas para desenvolver soluções similares no Brasil e em outros locais.

Assim como na britagem, o modelo para a área úmida pode envolver a entrega de dados de analisadores em linha. Isso permite otimizar o processo de filtragem e moagem em tempo real, baseando-se na necessidade real e nos gargalos do cliente.

Como a filtragem está diretamente ligada à gestão de rejeitos, o modelo busca não apenas operar os filtros, mas integrar soluções que transformem o rejeito em potenciais novos produtos.

As soluções incluem a economia circular, com estudos para reaproveitar rejeitos na geração de geopolímeros para a construção civil, o que beneficia o ecossistema local e as comunidades. Também há pesquisas de longo prazo avaliando o potencial energético a ser extraído desses materiais.

Zero Capex: Máximo Desempenho em Bombas Sem Investimento Inicial