Uso responsável da água
O uso responsável dos recursos hídricos é o maior motivador para o crescente interesse nas tecnologias de desaguamento de rejeitos, especialmente em regiões áridas de países como Peru, Chile, EUA e África do Sul.
Para lidar com esse cenário, a transição do represamento tradicional em barragens úmidas para a adoção de rejeitos secos tem se mostrado a solução mais viável e duradoura. Ao contrário do que se costuma pensar, a gestão de rejeitos secos apresenta maior eficiência em termos de investimento de capital (Capex) e de operação (Opex) quando comparada aos rejeitos úmidos, pastosos ou espessados. As novas tecnologias de desaguamento aumentam a segurança das barragens ao reduzir o teor de água nos rejeitos de mineração, o que reforça significativamente a sua estabilidade estrutural. O desaguamento remove o excesso de líquido e transforma os rejeitos, tradicionalmente bombeados e armazenados como uma lama (com 25% a 45% de sólidos), em materiais mais densos e consistentes, como rejeitos espessados, em pasta ou tortas filtradas (com mais de 80% de sólidos).
Tecnologias de filtragem inteligentes e soluções híbridas permitem maximizar a recuperação da água, que é reciclada de volta para as plantas de concentração, reduzindo drasticamente o consumo de água doce.
Além disso, o empilhamento a seco elimina os riscos de contaminação e vazamento para os recursos hídricos naturais, substituindo as barragens úmidas e diminuindo consideravelmente o risco social e os conflitos com as comunidades locais.
Do ponto de vista da economia circular, a gestão de rejeitos deixou de ser apenas uma questão de armazenamento para se tornar uma oportunidade estratégica de recuperação de valor. O reprocessamento de rejeitos atua como um pilar da circularidade na mineração, permitindo que a indústria transforme o que antes era considerado passivo e "perda" em um ativo valioso.
Muitas instalações e barragens antigas abrigam volumes maciços de minerais residuais e metais secundários que, no passado, não despertavam interesse comercial ou não possuíam tecnologia viável para extração.
Filtragem reforça licença social
Atualmente, o avanço tecnológico permite a extração de metais como ouro, sulfeto de cobre e minério de ferro diretamente desses passivos. O método padrão de reprocessamento envolve a dragagem dos rejeitos das barragens para o concentrador, onde os metais são liberados; em seguida, o material descartado é desaguado e empilhado a seco, enquanto a água é reciclada ou devolvida tratada à natureza.
Esse reaproveitamento é fundamental para a conservação do minério bruto. Ao limpar e reprocessar o conteúdo das barragens, gera-se material para preenchimento (back-fill), o que reduz a necessidade de extração de minério bruto, aumentando a vida útil da mina e diminuindo o volume total de resíduos armazenados.
Essa abordagem não apenas contribui significativamente para a recuperação ambiental e a desativação segura de barragens antigas, mas também se mostra uma alternativa altamente econômica em comparação com a extração e o processamento de material virgem.
Nos últimos anos, falhas em barragens de rejeitos úmidos resultaram em perdas de vidas, destruição de comunidades e contaminação dos recursos hídricos naturais. Esses desastres atraíram grande atenção internacional, aumentaram o ativismo contra as mineradoras e tornaram as regulações muito mais rígidas, o que afetou severamente a licença social para operar em diversas regiões.
A adoção da filtragem para a geração de rejeitos secos atua diretamente na raiz desse problema. Ao substituir as barragens úmidas pelo empilhamento a seco, as mineradoras diminuem drasticamente o risco social, protegendo propriedades e salvando vidas. Além disso, essa tecnologia preserva a natureza ao eliminar os riscos de vazamentos e contaminação hídrica.
Como resultado, esse modelo de gerenciamento muito mais seguro e sensível às questões ambientais reduz de forma significativa os conflitos tanto com as comunidades locais quanto com os órgãos reguladores. Ao demonstrar responsabilidade e mitigar os perigos associados ao modelo convencional, a filtragem ajuda a reconstruir a confiança da sociedade e assegura a licença social necessária para que as mineradoras continuem operando
Como a filtragem funciona na prática A filtragem utiliza meios porosos, como tecidos ou materiais não tecidos, para separar os sólidos dos líquidos presentes em uma lama/pasta. O líquido (filtrado) atravessa o filtro, enquanto as partículas sólidas ficam retidas na superfície, formando uma "torta" sólida (filter cake).
Para explicá-la melhor, resumimos suas principais características:
• Rejeitos filtrados: Os rejeitos filtrados são classificados como uma das melhores tecnologias disponíveis para gestão de resíduos da mineração. Eles se caracterizam por ter um teor de sólidos extremamente alto, superior a 80%. Geralmente, o teor de umidade da torta de filtro varia entre 15% e 25%.
• Benefícios ambientais: A filtração permite que os rejeitos sejam descartados em estado insaturado. A grande vantagem disso é eliminar a necessidade de construção de barragens, reduzindo os riscos de desastres, e possibilitando a máxima recuperação e reciclagem da água que seria perdida por evaporação ou infiltração.
• Desafios operacionais: A eficiência da filtração costuma ser prejudicada pela presença de partículas finas (10 a 100 µm), que deixam a torta pegajosa e difícil de remover. Além disso, variações de pH causam corrosão nos equipamentos, e a presença de argila pode causar o entupimento dos filtros (clogging), dificultando severamente a separação da água.
• Uso de floculantes: Para combater os entupimentos e otimizar o processo, o uso de floculantes é essencial. Floculantes de baixo peso molecular são os mais indicados na filtração, pois criam uma torta de filtro mais porosa, uniforme e permeável, permitindo que a água escoe facilmente pelos poros.
• Filtração no tratamento de água: Além dos rejeitos, métodos como filtração por membrana, ultrafiltração e nanofiltração são amplamente citados para tratar os efluentes e águas residuais da mineração, sendo altamente eficientes para remover metais pesados, sólidos suspensos, turbidez e impurezas tóxicas, garantindo que a água atinja padrões rigorosos de qualidade ambiental.
O empilhamento a seco oferece diversas vantagens estratégicas, operacionais e ambientais em relação às barragens úmidas tradicionais, destacando-se como uma solução viável e duradoura para os desafios atuais da mineração.
Veja as vantagens:
Segurança e redução de riscos sociais: A substituição de barragens úmidas pelo empilhamento a seco diminui significativamente o risco social, evitando falhas catastróficas que, na última década, resultaram na perda de vidas e na destruição de comunidades inteiras. Essa mudança protege propriedades e garante uma operação muito mais segura.
Economia e maximização da água: O processamento e a filtragem para a geração de rejeitos secos permitem reciclar um volume consideravelmente maior de água de volta para os concentradores, reduzindo de forma expressiva o consumo de água doce em comparação ao represamento úmido convencional. Essa recuperação hídrica é um fator crítico, visto que cerca de 70% das minas geridas por grandes empresas estão localizadas em países onde a escassez de água é classificada como o risco principal.
Proteção ambiental e preservação de ecossistemas: Ao eliminar o uso de barragens com material líquido, o empilhamento a seco acaba com os riscos de vazamentos e contaminação dos recursos hídricos naturais. Isso preserva o ecossistema local e reduz o impacto negativo nas áreas imediatamente próximas às operações de mineração.
Eficiência financeira: Contrariando o senso comum do setor, a gestão de rejeitos secos apresenta uma eficiência muito superior em relação aos custos de capital e operacionais quando comparada ao manuseio de rejeitos úmidos, pastosos ou espessados.
Licença social e conformidade regulatória: Com o endurecimento das regulações e o aumento do ativismo impulsionados por falhas recentes em barragens, a licença social das mineradoras para operar foi severamente afetada. Um modelo de gestão de rejeitos a seco, por ser mais seguro e sensível ao meio ambiente, reduz drasticamente os atritos e conflitos tanto com as comunidades locais quanto com os órgãos reguladores.
Desativação e encerramento de minas: A transição para o empilhamento a seco facilita os processos de desativação de barragens antigas, permitindo que as empresas estabeleçam estratégias de encerramento de mina que sejam estruturadas, viáveis e ambientalmente seguras a longo prazo.
Sustentabilidade no Brasil
A Metso integra a sustentabilidade à sua estratégia global e mantém o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2030. No Brasil, esse propósito se materializa por meio da certificação Carbono Zero de sua fundição e da fábrica de borracha, além do desenvolvimento de novos modelos de negócios em parceria com as mineradoras. Entre as iniciativas, destacam‑se o apoio a projetos de energia 100% renovável, ações de economia circular e o avanço de tecnologias capazes de transformar rejeitos em novos produtos.